Quase, Vitória.

4 de abril de 2011

Quase que o Vitória Basquete se classificou para a segunda fase da Liga Nacional de Basquete. Por apenas 01 ponto, a equipe capixaba perdeu em casa pro time do Bauru e foi eliminado da competição. Quase toda a nossa imprensa, vangloriou o quase da equipe do Vitória. De fato foi emocionante. A torcida, que encheu o pequeno ginásio do DED, viu um grande jogo de basquete, com duas equipes fortes, inclusive a tão frágil equipe capixaba. Mas houve superação e uma quase heróica classificação. Mas se engana quem acha que o Vitória não se classificou por conta de um ponto.

Para quem não se recorda, o time capixaba foi o último a contratar, a se apresentar, a treinar. Além disso, por conta de atraso, só restou a sobra, dentre grandes jogadores no Brasil. Cabe aqui dizer também, que o elenco era limitado. Some isso ao fato de ser um time novo (idade), sem maiores pretensões no campeonato, que levou duas ou três surras durante o torneio. Além de ter perdido quase todos os jogos fora de casa e poucos em casa. Jogadores reservas fora do Espírito Santo, como Eddy e Amiel, eram os titulares absolutos aqui, o que mostra um time mais fraco, evidentemente.

O Vitória continuou com os mesmos erros do Saldanha da Gama. Pouco investimento, elenco limitado, pensamento pequeno, péssimas condições de treinamento, além de nenhum investimento em Marketing ou ações voltadas para o torcedor. A equipe não é um fiasco total. Possui jogadores com valor, mas sem um plantel que permita um rodízio mantendo o nível fica difícil imaginar coisas maiores. O Vitória nunca intimidou ninguém. Praticamente todas as equipes chegaram ao estado em busca de uma boa vantagem de pontuação, o que de fato, foi o que ocorreu na maioria dos casos. E mesmo assim, mesmo com fragilidade na sua estrutura e pensamento, o time capixaba quase se classificou (que pese que foram 12 classificados em 15 possíveis) o que gerou um fuzuê incrível de seus dirigentes, jogadores e até a imprensa.

O Vitória Basquete carrega o nome de uma cidade. Possui dirigentes conceituados. Está em um estado rico, com N empresas poderosas, além de querer ser grande no basquete. Mas não posso concordar que a quase classificação é nobre, grandiosa ou um marco para o esporte. Teve um jogador que até disse que “para o primeiro ano do Vitória tá bom”. Por isso ficamos assim. Porque qualquer coisinha a mais que a última posição tá bom. Porque participar tá bom. Porque pra quem nunca esteve entre os grandes, brigar de igual pra igual tá bom. Falta é amor próprio ao Espírito Santo esportivo, falta vergonha na cara, falta menos síndrome de vira lata e um pensamento grande e ousado.

Se houve um orgasmo pelo clube diante de uma quase classificação, imagine quando se classificar. Teremos desfile pela cidade, pôster nos jornais e quem sabe, a presença de celebridades pra desfrutar desse momento. O que é comum em outras cidades, é motivo de glória por aqui. Mas tenho certeza de que um dia seremos grandes e respeitados. Ou quase isso.

O peso das falsas promessas

15 de março de 2011

A inocência das pessoas, devido ao aumento da violência, deu lugar à desconfiança e o famoso pé atrás. Se antes todo mundo acreditava em doces palavras, hoje em dia, se tem que fazer muito para que as suas sejam respeitadas. Hoje desconfiamos até dos mais próximos. O ser humano se tornou uma caixa de desconfiança diária.

Por falar em desconfiar, nada melhor que falar do presidente/dono da Desportiva Capixaba, Marcelo Villa Forte. O mandatário Grená anunciou nas últimas semanas que fechou uma grande parceria com enormes e conceituadas empresas, a construção da “Cidade Jardim”. O projeto, ambicioso, contemplaria a Desportiva, através da reforma total de seu estádio, a criação de um belo CT, além de um investimento mensal de 100 mil reais no futebol. Em troca disso, a Desportiva cederia sua área em torno do Estádio, para a construção de prédios e centros comerciais para os investidores.

A notícia poderia ser recebida com glórias e fogos de artifício, se não fosse inserida neste contexto, a tal da desconfiança. Pergunte a um torcedor Grená se ele confia em Marcelo Villa Forte? O mesmo que garantiu o time na série A do brasileiro já em 99.
O mesmo que garantiu que a Desportiva iria crescer. O mesmo que garantiu que a equipe nunca abandonaria o futebol profissional. O mesmo que garantiu que o time jogaria a Copa Espírito Santo. O mesmo que garantiu N mundos e fundos pra já tão sofrida torcida Grená. E nada foi realizado. Nada.

O projeto sem dúvida é grandioso e contempla não só a Desportiva, mas como todo o futebol local. Mas as reações foram previsíveis. A imprensa sem muito alarde, a Desportiva Ferroviária desconfiando. A torcida sem acreditar. Os históricos de promessas não cumpridas e de fracassos atrás de fracassos de Marcelo Villa Forte fazem desse projeto mais uma incógnita para todos os envolvidos. O que era para ser uma notícia bombástica, incrível e única, se tornou “mais um conto ligeiro de Marcelo”.

Pelo jeito, não é só por conta da violência que a gente anda desconfiado.

O ensinamento do nosso basquete

21 de fevereiro de 2011

O capixaba, historicamente, tem a fama de ser um povo que não recebe bem o turista. Uns dizem que o atendimento no comércio é ruim. Outros criticam que o capixaba é frio, distante e pouco apegado à educação. Concordo, pois eu mesmo já vi de perto várias situações chatas, principalmente no atendimento em estabelecimentos comerciais. A verdade é dolorosa, porém verdadeira: o capixaba não é um povo muito receptivo a quem vem de fora, mas claro, há exceções.

E uma exceção é o no nosso esporte, mais especificamente no basquete. Os times de Vitória e Vila Velha, que jogam a elite do basquete nacional, seguram a penúltima e antepenúltima posições. Pouco investimento, elencos limitados e um planejamento amador, fazem dos times locais uma vergonha no que diz respeito aos resultados.

De forma ainda mais vergonhosa, em relação aos jogos em casa, diante de seus torcedores, os times capixabas conseguem a proeza de fazerem ainda pior. O Vitória venceu apenas 3 vezes jogando em seu domínio, contra seis derrotas, sendo algumas delas, vexatórias. O Vila Velha ainda foi pior. 9 derrotas e apenas uma vitória, que por mais engraçado que seja, foi diante do rival capixaba.

Os times de fora, quando enfrentam na rodada dupla, os times do Espírito Santo, sabem que têm por obrigação, levar duas vitórias para suas cidades. Mesmo jogando no ginásio em que se treinam todos os dias, diante do apoio de suas torcidas, Vitória e Vila Velha não têm força, nem camisa, nem basquete para vencer os “turistas”. E nesse cenário de derrota, o que mais impressiona é o discurso dos times de fora quando chegam ao Estado: “Será um jogo difícil, mas nosso objetivo é sair com as duas vitórias”. Por mais óbvio que pareça, é uma fala sincera e real. E o pior, o desejo quase sempre é realizado.

No comércio e talvez no dia a dia, o capixaba realmente não deve tratar como deveria aqueles que vêm de fora. Mas o nosso basquete nos ensina como tratar bem as visitas. Que ainda levam duas vitórias como lembrança.

Migalhas

18 de outubro de 2010

A torcida da Desportiva vai mais uma vez sofrer com a segundinha capixaba, caso realmente o clube de Jardim América dispute tal competição. Com resultados vergonhosos, o time Grená foi rebaixado dentro e fora de campo (perdeu no tapetão) e pela terceira vez em sua história, em pouco menos de 10 anos, jogará a medíocre e esquecida segundinha.

A torcida Grená, apesar de estar vendo seu clube de coração acabar aos poucos, festeja a eliminação do arqui-rival,  Rio Branco, da Copa Espírito Santo. Frases como: “Chora Branquinho” e “Mais uma eliminação hahaha” são comuns nas redes sociais Grenás.
É justo, de direito e prazeroso comemorar a derrota de um rival histórico. Mas seria ótimo se fizéssemos isso se realmente tivéssemos condições.

A torcida Grená chora há 11 anos seguidos. Desde 1999, após a confirmação da parceria com a Frannel, que o clube de Jardim América vem humilhando sua fiel torcida. Rebaixamentos no brasileiro, no estadual, abandono do clube, quebra da sala de troféus…a lista é imensa.
O futuro Grená é sombrio. Se jogar a segundinha ano que vem, terá que ralar muito para subir, haja vista que todos vão querer tirar uma casquinha de um dos maiores clubes do Espírito Santo. Caso contrário, vai perder mais um ano de tantos outros perdidos nesta década.

Enquanto isso, a torcida Grená prefere zombar de seu rival ao invés de fazer algo. Não há protesto, não há busca por justiça, não há nada. Por isso que a Frannel, na imagem do Marcelo Villa Forte fez o que fez e continua fazendo nestes 10, 11 anos de sociedade.
A torcida da Desportiva continua sofrendo, sem nada a fazer. Sofre calada, usando redes sociais para expor suas frustrações e lamentações.

Mas tudo bem, o que importa mesmo, é ver o Rio Branco eliminado.
Foi o que restou para a torcida Grená.

Errar é capixaba

14 de outubro de 2010

O Vitória Basquete, ex-Saldanha da Gama, anunciou que cancelou a parceria com o São Bernardo/Metodista de São Paulo. Parceria que iria proporcionar um time forte, com elencos dos 02 clubes, para a disputa da terceira edição do NBB. Mas por motivos de incompatibilidade de datas (Paulistão e Nacional) a parceria se desfez, após também resultados ruins.  

Desfazer algo que não deu certo é comum e justo. Não há erros nem problema nisso. Por exemplo, um casamento é assim. O problema é que antes de começar uma parceria, é necessária uma análise profunda das possibilidades e prejuízos. No caso do Vitória Basquete, bastava inicialmente fazer uma conferência das datas dos jogos do Campeonato Paulista. Com isso, a parceria não seria encerrada. Não era difícil fazer isso. Bastava um pouco de organização e informação.

Sinceramente não sei se foi só esse motivo para o fim precoce da parceria. Talvez tenha algo a mais que a gente não saiba. Mas se foi por conta desse motivo, é mais uma prova que o Saldanha da Gama, agora Vitória Basquete, erra mais uma vez, com seu amadorismo que não tem fim.

Não bastasse o fim da união, o clube capixaba começou a anunciar possíveis reforços (possíveis) nesta semana. Até aí, nada de demais, se não fosse o fato do torneio nacional começar em 02 semanas. Como os grandes jogadores já estão empregados, ficará difícil para a equipe capixaba ter bons valores. E mesmo que consiga, terá um tempo mínimo para treinar, coincidindo com o mesmo erro da última temporada, que culminou uma penúltima colocação, com resultados vergonhosos, dentro e fora de casa.

Dizem que errar é humano. Mas o Vitória Basquete não precisava ser tão humano assim.

Sem trem bão.

30 de junho de 2010

Jota Quest

Estava conversando num churrasco, com meu amigo Pablo de Minas Gerais e o tema que estava sendo discutido era a cultura do Espírito Santo, de Minas e suas diferenças. Ficamos inicialmente focados na questão musical. Nomes como Jota Quest, Skank, Pato Fu e Sepultura foram citados quando estávamos falando do lado de lá. Casaca, Manimal e Dead Fish foram os escolhidos do lado de cá. O que mais me chamou a atenção no começo foi que, exceto Dead Fish, as outras bandas capixabas citadas não eram conhecidas nacionalmente. Uma cidade aqui, outra ali, mas a verdade é que se a Casaca fizer show em BH, 100, 150 pessoas estarão presentes. Agora, se qualquer uma das bandas mineiras estiver presente no Álvares (e sempre lá) fatalmente teremos 5, 6, 8 mil pessoas, mesmo com ingressos a 50 reais. E olha que já são bandas decadentes.

O resumo da ópera, após essa conversa, foi que o Espírito Santo nunca foi forte em nada. Muito menos na música. Existem exceções, mas é pouco, muito pouco. O capixaba nunca teve força na sua cultura. Os teatros do centro da cidade deram lugar às Igrejas Evangélicas. Que bom que o povo gosta de orar, rezar, pedir a Deus alguma coisa, mas para um Estado se desenvolver culturalmente, é necessário muito mais que a paz do Senhor.

Depois do tema musical, eu e Pablo, enquanto a carne esfriava, passamos a conversar sobre nosso esporte. Ele, deixando claro sua falta de informação, perguntou sobre a situação do Álvares na Liga Futsal. Eu, sem pena, disse que o clube não estava disputando por falta de verba. Ele ficou atônito. Eu não, porque conheço bem as peripécias do nosso esporte. Mas meu amigo Pablo estava chateado. Por ele, mesmo ficando em último, já estava bom participar. Mas disse ao meu caro Pablo que nem isso a gente consegue. O Espírito Santo não consegue nem ser medíocre no esporte. Ele simplesmente não existe.

Eu e ele ficamos durante o churrasco falando sobre a falta de cultura no nosso Estado e principalmente da falta de apoio de quem deveria ajudar. O governo não mexeu uma palha para evitar o que aconteceu com o Álvares. Não fez absolutamente nada para que os teatros e cinemas no centro fossem preservados. É um governo que não incentiva a cultura no Estado. Até porque, o povo não é dos mais exigentes. Com isso, continuamos a caminhar para o mesmo lugar. Nossas bandas aparecem nos canais de TV´s locais e abrindo show para bandas de fora. Como se os anfitriões fossem eles. Enquanto isso, a gente que gosta desse lugar, fica se lamentando, escrevendo textos críticos e esperando dias melhores.

Além de não ajudar a desenvolver nossa cultura, o Espírito Santo ainda atrapalhou meu churrasco.

Sem até breve

22 de maio de 2010

 Um primo de um grande amigo quis fazer um teste de futebol aqui no Espírito Santo. Morador de Minas Gerais, Paulo Henrique, de 16 anos, veio pra cá, pois eu tinha conseguido um teste na Desportiva Capixaba, conhecida como “a base mais forte do Estado”, o que de certa forma, não deixa de ser mentira. O que pros padrões capixabas, não significa muita coisa. Após alguns contatos com conhecidos do clube de Jardim América, lá estava “PH”, lateral direito que tinha como curriculum, êxito em testes no Cruzeiro de MG e no Águas de Lindóias.

Chegamos ao clube e sem ninguém procurar saber quem era o jogador, lá estava ele no vestiário colocando seu uniforme e se juntando ao elenco de juniores. Calado, como um bom mineiro, seu olhar de ansiedade mudava para um olhar de esperança. Afinal, nosso futebol não é dos mais fortes, a ponto de ter jogadores primorosos na base. Se tivesse, fatalmente não seríamos medíocres, como somos. E por isso, PH, já apelido de “Ganso” pelos seus novos amigos, via na Desportiva uma grande chance.

Mas como no futebol nem tudo são flores, eis que Paulo Henrique teve sua primeira decepção em terras capixabas. O treinador do time, Anderson Falcão, informou que o elenco já estava fechado para a Copa Brasil Sub 17. Que como o time estava formado, era melhor o jogador tentar sua sorte em outro período, efetuando assim sua dispensa. A esperança de PH deu lugar à tristeza e decepção. E a minha, que acompanhei de perto, deu lugar à raiva e revolta. Afinal, a informação que o time já estava fechado, certamente era sabido antes de seus testes começarem. Seria mais coerente e justo, se a Desportiva já tivesse dado essa informação antes, evitando assim, um desgaste desnecessário do atleta.

Agora, Paulo Henrique vai tentar sua sorte no Rio Branco, clube que tem sua categoria de base mais sólida e com mais investimento. Além de alimentação, alojamento, o clube também vai fornecer ajuda de custo para essa “molecada”. Realidade completamente diferente da Desportiva. Que, além de uma situação totalmente amadora, também não tem organização, a ponto de deixar um rapaz que veio de Minas Gerais, treinar por 03 dias, já sabendo que ele não ficaria.

 

Espero que PH consiga sucesso no Rio Branco. Mas se não conseguir, que ele tenha êxito em algum outro clube. Que ele tire boas lições do que ocorreu na Desportiva e que isso sirva de fortalecimento para seu crescimento. O que o time Grená fez, foi mais uma aula de como não se fazer futebol. Um exemplo clássico de falta de organização e desrespeito por quem quis apenas uma chance no Espírito Santo. PH não era e não é melhor que ninguém. Mas ele merecia, por ter vindo de tão longe, um pouco mais de cuidado ou pelo menos, mais atenção por parte da cúpula Grená.  

Paulo Henrique nunca tinha ouvido falar da Desportiva. E agora já conhece um pouco do time capixaba. Acho que era melhor que ele nunca tivesse conhecido.

Muito choro, pra pouco bairrismo.

23 de abril de 2010

VV

O prefeito da cidade de Vila Velha, Neucimar Fraga, através de seu twiiter, publicou a seguinte frase: “Será que o choro dos flamenguistas, vai alagar o Rio de novo?”. A partir daí, o mesmo foi massacrado por vários recados bem educados por parte do povo capixaba e até de fora. Além de ser uma brincadeira de péssimo gosto com uma situação catastrófica que ocorreu no Rio de Janeiro, também me parece ser ousadia demais, já que a cidade que o prefeito toma conta, vira um caos quando chove. E pelo que me recordo, ano passado e neste ano, centenas de desabrigados precisaram de ajuda por causa das intensas chuvas que deixaram a cidade debaixo d’água.
(Segue links)
http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2010/04/622238-veja+fotos+da+chuva+em+vitoria+e+vila+velha.html

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2010/04/622178-chuva+inunda+ruas+em+vila+velha+deixa+carros+quebrados+e+moradores+ilhados.html

Mas como o blog propõe a focar no Esporte Capixaba, o comentário infeliz do prefeito é um prato cheio. Aliás, infeliz não é a palavra certa, acho que comum seria a correta. Os decorrentes comentários a favor de seu time (Botafogo) e a sequência crítica para o Vasco e Flamengo, mostram que Neucimar Fraga acompanha com muito afinco seu clube de coração, o Botafogo do Rio de Janeiro. E não bastasse tal amor, também através de seus posts, divulga a todas as milhares de pessoas que o seguem pelo twitter, sua dedicação ao clube de General Severiano.

Como prefeito de uma cidade tão grande e populosa como Vila Velha, Neucimar Fraga comete o mesmo crime contra seu próprio Estado: a falta de bairrismo. O amor pelo Botafogo é de direito, ele pode amar quem quiser no âmbito “futebolesco”, mas desdenhar e simplesmente não tecer nenhum comentário de esperança com os clubes de sua cidade que estão jogando o estadual de futebol (Vilavelhense) ou nacional de basquete (Cetaf) é vergonhoso e um mau exemplo que espero que ninguém siga. Aliás, é bom frisar que o até então secretário do esporte, Luciano Resende, tem divulgado de forma intensa, a reforma do estádio Kléber Andrade e também posso citar, alguns vereadores de Vila Velha e o Senador Magno Malta, que enalteceram a boa campanha do Cetaf Vila Velha, para todo o Brasil. E garanto que Luciano Resende, Magno Malta e os vereadores, têm seus times preferidos, mesmo fora do Estado. E nem por isso se excitam ao falar deles, dando preferência ao local, como prova de bairrismo, inteligência, exemplo e amor próprio. Mesmo que a maioria não haja assim.

Neucimar Fraga pode continuar amando o Botafogo e continuar a achar que vive em Copacabana ou Niterói. Pode continuar se esquecendo dos pequenos, mas guerreiros clubes estaduais, que mesmo num Estado onde ninguém dá valor as coisas locais, lutam para existir e crescer. Neucimar pode continuar achando graça ao debochar de um Flamenguista ou Vascaíno, como se estivesse numa mesa de bar na Tijuca.

O que Neucimar não pode se esquecer, é que ele é prefeito de Vila Velha e é por ela, que ele tem que demonstrar sua fé, acreditando mesmo nos pequenos clubes, do nosso combalido futebol. O Botafogo não precisa de Neucimar. O Rio de Janeiro não precisa de Neucimar. As coisas de Vila Velha sim, precisam dele.

Espero que o bairrismo volte a ser dado a quem deve dar exemplo. E espero também que não volte a chover em Vila Velha.

Sem amor próprio

19 de abril de 2010

Protesto

Triste não é ver seu time perder, triste é ver a humilhação de seu grande amor esportivo e ficar tudo por aí. Assim que acontece na quase totalidade dos clubes locais. No futebol por exemplo, a Desportiva praticamente decretou seu rebaixamento à segunda divisão do estadual. (terceira vez nos últimos 10 anos). O problema não é a tragédia do clube, o problema é a passividade da torcida.

Ao navegar na principal comunidade de discussão virtual da Desportiva, é possível ver que a torcida já pensa no ano que vem. É possível ver comentários do tipo: “agora é planejar a segundinha no ano que vem”. Ou seja, o torcedor capixaba, mesmo ferido pelo fracasso do seu time, não exibe nenhum tipo de revolta, protesto ou ação. Aceita calado mais um insucesso de seu time de coração. Trata seu grande amor como apenas mais um.

A passividade esportiva capixaba me assusta. Há 01 ano atrás o Álvares Cabral estava disputando a Super Liga de Vôlei e a Liga Futsal. Hoje o clube desistiu das 02 competições alegando falta de verba. Ou seja, o clube entra numa grande competição, convoca sócios do clube e torcida capixaba de um modo geral e quando começa a criar raízes, ele simplesmente abandona. E o que faz a órfã torcida? Nada.

Por ser um povo passivo diante dos acontecimentos, é que os clubes fazem o que bem querem. Se não existe pressão, não há nada que mexa com o brio dos dirigentes. Se não existe protesto, não importa se vai vencer ou ser rebaixado de novo. Se não existe cobrança, pode sair de campeonatos sem nenhuma dor de cabeça. E é por essas e outras que esportivamente falando, não progredimos. Não ficamos fortes. Culpa da torcida capixaba que aceita passivamente uma situação vergonhosa, como nos casos da Desportiva e do Álvares que citei.

O torcedor local pode até amar seus times. Mas o que falta a eles, é um pouco de amor próprio.

Temos Zebras…e Cavalos.

9 de abril de 2010

Zebra

Ao abrir o jornal A Tribuna da quarta-feira, vi uma manchete sobre o jogo do Cetaf/Vila Velha, onde o time local era tratado como zebra. De fato, não estava longe de ser. Vencer a forte equipe do Joinvile de Santa Catarina não era das tarefas mais, é verdade, mas era possível e além disso, um time que venceu o Franca lá em Franca (primeira vez que um time capixaba fez isso), um time que chegou a ficar entre os 06 primeiros por algumas rodadas, não pode ser tratado como zebra. Aliás, até pode, mas não pela própria imprensa.

A imprensa é uma formadora de opinião por natureza. Principalmente o jornal a Tribuna, que ocupa bem a classe B, C e D. Sendo assim, é absurdo, incoerente, falho e desgostoso que a imprensa local trate seu produto de forma humilhante e “zebrística”. O Cetaf Vila Velha jogou bem e perdeu de 4 pontos. Uma derrota até esperada, pois o Joinvile é um time mais forte e não se classificou em 5º por sorte ou por causa da natureza.

Não é só o Vila Velha que é tratado assim. Todo e qualquer esporte no nosso Estado é zombado pela nossa imprensa (principalmente A Tribuna) mas claro com exceções. Não bastasse o desdém em palavras, o programa Tribuna Notícias, separa cerca de 10 minutos para um comentarista falar quase que exclusivamente sobre o futebol carioca. A volta de Fred, a ausência de Adriano, enfim, parece que a emissora se situa na Tijuca e eu sou um morador do Leblon.

Nada contra ter que citar as coisas de fora, afinal, aqui o povo gosta de valorizar as coisas de lá. Mas como formadores de opinião, as emissoras locais poderiam pelo menos de divulgar um pouco mais do Estado em que elas tiram seu lucro. Afinal, não é o povo do Rio de Janeiro que compra o jornal A Tribuna nas bancas, ou estou enganando? Invés de motivar, passar uma mensagem agradável, A Tribuna e sua linha editorial insistem em fazer o mais fácil: tratar como zebra nossos times, em qualquer modalidade e assim, colocá-los no chão, como se não fossem nada.

Que A Tribuna nunca se esqueça que é daqui que ela tira seu sustento, seu progresso, seus números e crescimento. É para o povo local que ela escreve, que fala, que transmite informações. Se o povo daqui é burro e limitado, preferindo assim valorizar as coisas de fora do que as locais, problema dele. A Tribuna deveria buscar o fortalecimento do Espírito Santo e dar um tapa de luva em que insiste em vestir camisas cariocas do que as capixabas. Não só no Basquetebol.

Sendo assim, ela será mais que ousada, ela fará o caminho bairrista capixaba. Um caminho difícil, que só quem tem coragem pode fazer. Talvez seja esse o motivo que ela não faz.